Muita gente acha que compartilhar uma notícia falsa é inofensivo. "É só uma mensagem", pensam. Mas a soma de milhões de mensagens dessas cobra um preço altíssimo, e quem paga somos todos nós, mesmo quem nunca clicou em nada.
Comece pela saúde. Durante crises sanitárias, boatos sobre tratamentos falsos e medo inventado de vacinas fizeram pessoas recusarem proteção real e adoecerem. Gente tomou remédio errado por causa de áudio no grupo da família. Gente deixou de procurar médico confiando numa "receita natural" que viu na internet. Aqui a desinformação não machuca no sentido figurado, ela mata de verdade.
Depois vem o bolso. Golpes disfarçados de notícia levam pessoas a investir em pirâmides, clicar em links que roubam senha, cair em promoções falsas. Empresas honestas veem sua reputação destruída por um boato mentiroso que ninguém consegue apagar depois. Um comerciante pode perder o negócio de uma vida por causa de uma mentira que rodou o bairro em uma tarde.
Tem também o custo político, que é talvez o mais grave. Quando a mentira decide eleições, quem governa não foi escolhido pela verdade dos fatos, mas pela força da manipulação. A democracia depende de gente informada pra funcionar. Se as pessoas votam com base em mentira, o sistema inteiro adoece.
E existe um custo que não aparece em número nenhum: a erosão da confiança. Aos poucos, param de acreditar no jornalista, no médico, no cientista, no vizinho. Todo mundo passa a olhar todo mundo com desconfiança. Uma sociedade onde ninguém confia em ninguém é uma sociedade paralisada, briguenta e fácil de manipular. Esse talvez seja o estrago mais profundo da desinformação: ela não destrói só um fato, destrói a nossa capacidade de viver juntos.